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3 razões para não perder tempo lendo os livros de Game of Thrones

Olá, leitores!!

Navegando pelo WordPress encontrei essa postagem sobre GoT e achei muito interessante, por isso vim compartilhar com vocês 😉

Eu já tinha preguiça de ler GoT, agora que não vou ler mesmo! Haha

Bora conferir !?😎

https://wp.me/p7L6lP-MYJ

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JOVENS ESCRITORES BRASILEIROS QUE VOCÊ PRECISA LER

A literatura brasileira, além de detentora de grandes escritores clássicos, tem revelado cada vez mais novos talentos. Com um futuro promissor pela frente, a nova literatura do país certamente merece um lugar em todas as estantes. Se você não sabe por onde começar suas leituras, indicamos abaixo alguns escritores com menos de 40 anos e que vêm ganhando espaço na cena literária nos últimos anos.

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 “O Problema do Autor Iniciante” por Camila Deus Dará

Olá, leitores!

 

Achei muito interessante esse vídeo da Camila Deus Dará, uma escritora competentíssima, mãe amorosa, esposa feliz, administradora do Sociedade Secreta dos Escritores Vivos (um dos melhores que participo) e produtora de conteúdo no Youtube em seu canal  “Camila Deus Dará – Escritora”

Assistam e comentem 🙂 Se apreciarem o canal, curtam e compartilhem! Comentem lá também 🙂

#AperteACampainha

 


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Comentem, curtam e compartilhem 🙂 

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A Sensualidade Dos Livros Impressos por Rodney Eloy

Olá, queridos leitores!!!

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Visitando um grupo num site de relacionamentos profissionais, encontrei uma descrição MARAVILHOSAMENTE romântica de nosso relacionamento “amoroso” com os livros ❤ !

 

 

 

 

 

Bora conferir?

 

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Uma breve reflexão sobre preconceito literário

Um daqueles artigos que valem cada letra lida ❤ LEIAM!

Por que (ainda) torcemos o nariz para os livros clássicos e mais populares?

“Eu amo ler livros de fantasia, tenho boa parte da coleção do Tolkien, todos os livros do Harry Potter e de Game of Thrones. Gosto de chick-lit, se for de qualidade. Aprecio textos que me ajudam a superar momentos difíceis. Procuro ler ao menos um livro clássico todos os anos. Sou fã de livros de filosofia, pois me conduzem ao mundo das ideias de forma ordenada e desfazem os nós da minha cabeça.

Mas, nem sempre fui assim. Até pouco tempo atrás, eu costumava reproduzir um discurso muito preconceituoso sobre as preferências literárias de algumas pessoas.

Quer dizer, os gostos dos outros não deveriam nos incomodar tanto. Talvez nos incomodem, pois queremos colocar a literatura em um pedestal desnecessário – como eu fazia. Quando estava na faculdade, acreditava que todos deveriam começar a cultivar hábitos de leitura com títulos clássicos, que fazem parte do cânone adotado pelo mundo acadêmico. Como eu era arrogante! E contraditória, pois justamente nesse período eu devorava os casos de mistério de Agatha Christie sem parar.”

Mil Palavras por Dia

Por que (ainda) torcemos o nariz para os livros clássicos e mais populares?

Eu amo ler livros de fantasia, tenho boa parte da coleção do Tolkien, todos os livros do Harry Potter e de Game of Thrones. Gosto de chick-lit, se for de qualidade. Aprecio textos que me ajudam a superar momentos difíceis. Procuro ler ao menos um livro clássico todos os anos. Sou fã de livros de filosofia, pois me conduzem ao mundo das ideias de forma ordenada e desfazem os nós da minha cabeça.

Mas, nem sempre fui assim. Até pouco tempo atrás, eu costumava reproduzir um discurso muito preconceituoso sobre as preferências literárias de algumas pessoas.

Quer dizer, os gostos dos outros não deveriam nos incomodar tanto. Talvez nos incomodem, pois queremos colocar a literatura em um pedestal desnecessário – como eu fazia.  Quando estava na faculdade, acreditava que todos deveriam começar a cultivar hábitos de…

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O Significado do Amor em 20 Imagens

O que é o amor? Filósofos, poetas e artistas já tentaram transmitir em palavras este profundo e complexo sentimento.

Mas, como já diz o ditado: “mais vale uma imagem do que mil palavras” para conseguirmos captar a essência de um significado.

O amor pode ter inúmeros rostos, formas, cores… E pode se manifestar dos mais diferentes modos.

Por exemplo…

1. O amor pode estar num olhar…

Casal se olhando apaixonado

Às vezes, somente as palavras não bastam para expressar aquilo que sentimos. Os olhos são considerados as “janelas da alma”, pois conseguem mostrar os sentimentos mais profundos do ser humano.

2. O amor pode estar num abraço…

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REGRA DO MINUTO – por Pitacos e Achados

Olá, leitores !

Alguns leitores me relataram a dificuldade em arranjar um tempo para ler.

Hoje eu li essa matéria interessante no blog PITACOS E ACHADOS e penso que vem bem a calhar com o assunto da falta de tempo para leitura 🙂

Quem aceita esse desafio ?? Eu aderi 🙂


tempo-indo-embora

“Muitas pessoas vivem fazendo propósitos de mudança: prometem fazer exercícios todos os dias, ler todas as noites, ou ajustar de alguma forma o seu estilo de vida. A regra do minuto é um dos métodos que ajudam os propósitos a serem cumpridos.

No Ocidente, temos o péssimo hábito de tentar obter grandes mudanças rapidamente. Achamos que é uma questão de força de vontade e colocamos sobre os ombros algumas tarefas que, na verdade, somos incapazes de cumprir.”

“Apenas um hábito pode dominar outro hábito”.
 – Og Mandino –

Leia a postagem completa em PITACOS E ACHADOS 

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CINEARTE |2| CINEMA , LITERATURA E LOLITAS por Italo Lobo

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Devo dizer que o livro de Nabokov encontra-se em minha estante para ser lido. Não tive a curiosidade de assitir ao filme pelos motivos que os leitores “erroneamente” usam: “livros são sempre melhores que filmes” rsrs. Aprendi que não são artes comparáveis. Aceitei a sugestão do comentarista. Posso continuar preferindo livros, porque prefiro ler e não assistir. Mas isso não significa que sejam melhores ou piores. Apenas diferentes ! 

 

Lua Andrade


 

Literatura x Cinema

Por mais que as diferentes artes possam, às vezes, estar interligadas, compará-las é uma tarefa praticamente inútil. Literatura e Cinema que o digam. Historicamente, grande parte dos roteiros cinematográficos é baseada em livros. E não há problema algum nisso. O problema é outra coisa.

A tão conhecida frase de Stanley Kubrick “tudo que pode ser escrito pode ser filmado” deve ter sido um dos poucos erros do brilhante cineasta. Claro, o que ele fez filmando 2001 é um caso isolado, uma exceção em qualquer aspecto que lhe seja válido seja em termos de adaptação, já que foi um dos diversos livros dos quais se diziam infilmáveis, ou em termos de perfeição técnica cinematográfica, que até hoje não foi igualada na relação de proporção entre recursos tecnológicos/qualidade do resultado.

E alguém ainda duvida que a frase de Kubrick não deve ser levada muito a serio? Enumerando apenas alguns pontos: 1- Livros são feitos para atiçar a imaginação de quem lê. Os detalhes, por mais minúsculos que sejam, são essenciais. Filmes são o contato visual, onde a imagem, o som, já vêm prontos para nossos sentidos. 2- Nos livros, várias vezes são apresentados os pensamentos de cada personagem, ou a descrição de cada detalhe de cada metro cúbico do lugar em que a trama se encontra. Nos filmes, o cara que dirige não vai ficar pausando a cena toda hora nem para inserir o que a personagem sente ou pensa nem para indicar com uma seta a cor do tapete, a quantidade de lâmpadas do lustre ou a vestimenta do vilão. E tem gente que reclama que o filme muda o corte de lugar no corpo do mocinho. 3- Livros não têm padrões de páginas ou tempo para ler. Filmes não variam muito sua duração entre 80 e 150 minutos.

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Deveria estar claro para todos, mas parece não estar: não dá para comparar os dois: livros sempre serão mais detalhistas, e os filmes sempre serão mais mastigados e resumidos, e nunca 100% fiéis a nada. Aliás, tocando nesse ponto, e ainda mais por serem dois segmentos artísticos tão diferentes, um filme não fica melhor ou pior por não ter sido mais ou menos fiel a seu livro ou história em quadrinhos de origem. Se assim fosse, os filmes Cinegibi da Turma da Mônica seriam todos obras-primas…

Não existe “o livro é melhor que o filme”. O ideal é dizer “gostei mais de ler o livro do que de assistir ao filme”, ou “as qualidades do livro são melhores”, ou algo que o valha.

Leia a matéria completa em  © obvious:  http://lounge.obviousmag.org/monolito_azul/2014/05/cinema-literatura-e-lolitas.html#ixzz4gXcO1CXT


 

 

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Um Relato Excepcional!

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A grande gafe eurocêntrica ou o desrespeito à Carolina de Jesus na casa da palavra ou isso não vai ficar assim.
Dois dias depois de participar do evento em homenagem à Carolina de Jesus, na Academia Carioca de letras, ainda estou sob os efeitos da curiosa e inesquecível cerimônia. Presidida pelo nosso querido Ricardo Cravo Albin, homem-pedra fundamental na luta e na ação da preservação do patrimônio cultural brasileiro, em especial da Música Popular Brasileira, em sua sabedoria antenada, incumbiu ao Martinho da Vila a tarefa de convidar uma mulher escritora para participar da de  cerimônia em homenagem à autora do contundente e histórico livro Quarto de despejo. Tudo ia muito bem. A sessão rolando com suas formalidades, seus associados, em sua maioria mulheres na platéia e público em geral, naquele fim de tarde de abril. Com honras foi apresentado por Marcus Vinicius Quiroga, o professor de literatura Ivan Cavalcanti Proença, membro daquela academia e também um ex capitão combatente da ditadura que muito brigou naqueles duros anos, para que este homenageasse a escritora. Era o primeiro palestrante, o que introduziria e falaria sobre a obra de Carolina antes de mim, que não sou estudiosa da autora a nível de doutorado como muitos o fizeram e o fazem neste país. Estou mesmo bem longe disso pois a obra dela deve ser estudada na profundidade. Mas estava ali, olhos atentos e ouvidos disponíveis onde, quando chegasse a minha vez, eu destacaria as pérolas da literatura daquela ex-catadora de papel que, do meio da miséria nos traz notícias de seu olhar e da sua sensibilidade ao retratá-lo. Colhi o que me emocionava, imprimi e parti para o honroso convite. Agora estava ali, exposta ao que viria. Muitas coisas passavam na minha cabeça. Martinho da Vila e eu éramos na mesa os “parentes” culturais da homenageada e desse orgulho nos vestíamos.

          Ivan Proença começa elogiando a Carolina, o seu relato em Quarto de despejo enquanto traz um exemplar de 1966 nas mãos, uma raridade, publicado por iniciativa de Audálio Dantas, o jornalista que ao fazer uma reportagem na Fazenda de Canindé viu uma moradora catadora de papel, negra, protestando contra as injustiças e invasões na favela e ameaçando: “Vocês vão ver, vou botar todos no meu livro”. A palavra livro vindo assim da boca preta da pobreza, vindo aparentemente do improvável, despertou a curiosidade e aguçou as competências jornalísticas investigativas, sociológicas do sagaz profissional. E, de uma hora pra outra, a catadora de papel estava publicada, e publicada em 24 países. Assim, num átimo tal qual Caymmi nos trouxe a vida do pescador, Carolina traz para nós, com palavras, o clima, o ambiente diário dos perenemente excluídos nas favelas. Ia tudo muito bem no discurso do acadêmico até a hora em que, com a sagrada edição na mão, objeto de colecionador, diga-se de passagem, o homem brada, com aquele antigo desprezo que se e oferece às artes não brancas nesse eurocêntrico domínio , e afirma, seguro como um cientista: “Só tem uma coisa, isso não é literatura”. Estarreci. Teria me desligado? Ouvi mal? Não poderia ser da Carolina que ele falava. Era. “Isso pode ser um diário e há inclusive o gênero, mas, definitivamente, isso não é literatura”, continuou. “Cheia de períodos curtos e pobres, Carolina, sem ser imagética, semi analfabeta, não era capaz de fazer orações subordinadas, por isso esses períodos curtos”. E seguiu destituindo sem o menor constrangimento a internacional obra da homenageada.

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Fonte: Socialista Morena

        Meu Deus, inacreditável! Ela era o motivo da sua presença ali, tema de sua palestra, motivo da cerimônia, assunto daquele encontro, e conteúdo principal do mês dentro de um projeto em que a referida Academia homenageia escritoras. A próxima será Cecília Meireles. Aquilo complicou minha situação, porque me conhecendo sabia que não me calaria. Aos orixás da palavra invoquei por dentro para que minha reação não provocasse o que chamam de “barraco”. Que eu não fornecesse a antiga munição que costuma nutrir os argumentos dos conservadores, que se manifestam com “ela desceu o nível” e coisa e tal. Mas dava vontade. Aquilo, se não era uma piada de mau gosto, era o que era: Uma trágica demonstração de racismo sob o fenótipo de um argumento academista. Ele exigia dela, para ser literatura, um formalismo acadêmico do qual o sucesso de sua literatura pôde prescindir. Sua capacidade em produzir imagens sem as técnicas oficiais dos literatos é que faz a sua obra objeto de estudo de grandes pensadores.

Martinho da Vila me apresentou com carinho, me tirando das ideias de vingança que vinham em bandos do lado esquerdo do pensamento. Para me acalmar e não bater o tambor da intolerância numa hora delicada, iniciei dizendo o poema do Semelhante que deu nome ao meu primeiro livro, e que prega a igualdade na diversidade entre os seres. E prossegui dali: Se me perguntarem o que mais me incomoda no epidêmico e sistemático racismo direi que é o olhar que depositam sobre nós a proferir as mesmas mudas perguntas: “Como ousas? O que você está fazendo aqui? Você não sabe que aqui não é o seu lugar?”. Sem flagrante aparente mas intimidadora essa pergunta é feita com o olhar e não deixa dúvidas. Portanto, herdeira da coragem dessa mulher que no ano que nasci foi descoberta por escrever o seu olhar nos papéis que catava e os quais reciclava em cadernos, venho exaltar o seu escrito. Citei trechos de sua safra genial. Faca. Lâmina. Soco na boca do estômago: “Quem inventou a fome, são os que comem”. “Quem não tem amigo, mas tem um livro, tem uma estrada.”, “Fiz o café e fui carregar água, olhei o céu a Estrela Dalva já estava. Como é horrível pisar na lama. As horas que sou feliz é quando estou residindo nos castelos imaginários”. E perguntei à essa altura à emocionada plateia: Isso não é literatura? Me desculpe, senhor Ivan Cavalcante Proença, o que Carolina Maria de Jesus fez chama-se Literatura e por isso estamos aqui, e por isso a tradução em tantas línguas, e por isso o maravilhoso livro Quarto de despejo que fez com que a referida autora fosse tema do Fórum das Letras de Ouro Preto, idealizado e concebido pela maravilhosa escritora Guiommar de Grammont, editora da melhor qualidade, conhecida como curadora de Feiras Literárias internacionais. Nesse fórum  foi lançado um livro em sua homenagem: Memorialismo e Resistência- estudos sobre Carolina Maria de Jesus.

Pensei comigo: Se o Ivan estiver certo, todo mundo é bobo, inclusive Guiomar, Carlos Drummond de Andrade e Clarice Lispector. Gente que via a rara flor das letras que ela é. Mas isso eu não disse, só pensei.

Mesmo quanto às exigências do formalismo, eu discordo, senhor Ivan. Carolina, em seu diário, onde diz que “Eu denomino que a favela é o quarto de despejo de uma cidade. Nós, os pobres, somos os trastes velhos”, produz uma riqueza imagética que alterna períodos longos com frases curtas e poderosas. Para mim ela deixou de ser a catadora da favela de Canindé para ser a narradora de Canindé. Uma gênia, a despeito de alguns erros de concordância, as manobras de sua narrativa, as construções sociológicas do seu olhar que ela transforma com seu muito bem aproveitado restrito repertório de palavras, a literatura que essa mulher pobre brasileira nos deixou é imensurável, ela tinha o dom. Conheço gente que terminou o ensino médio e ainda é incapaz de um bilhete decente. Uma mulher que tem que dar conta de várias bocas, que passa fome e escreve sobre isso, que cata papel nas ruas, no lixo, para vender depois de muito catar, quando começa a aparecer algum peso vendável, sem contar todo o serviço de casa, tudo por sua conta e risco, e que ainda encontra tempo para escrever sua miséria nos deixando cinquenta cadernos inéditos?! Ora, meu deus, isso só pode ser dom, aquilo que a gente tem inclinação, tendência, facilidade, mesmo excluída por conteúdo, por não ter tido acesso à escola, mesmo assim, ela foi onde raramente algum dos seus consegue ir. Seu sonho era ser professora e sua filha o é, não catadora de papel.

Carolina fez o bonde andar com a sua palavra. Não reproduziu a obra da escravidão. Como fazem muitos ainda hoje. 

           Na tarde que virou noite, o homem em questão pediu direito à replica depois de minha fala, e eu ainda segui pedindo para que a gente fizesse uma revisão para ver o quanto de racista se poderia ser mesmo sendo intelectuais, mesmo se achando na crista da onda do pensamento contemporâneo mundial. Aproveitei a ocasião para alertar que já se tornou insustentável o racismo entre pessoas ditas do bem, entre pensadores que põem a perder todo o seu conhecimento ao assumirem posturas racistas. Jogam pelo ralo o Foucault que leram, o Sartre, e fazem temer no túmulo Lima Barreto, Cruz de Sousa e Machado de Assis. Adverti à plateia que não fica mais bem ser racista, não pega mais bem, não combina com civilização evoluída, não está mais se usando, é demodê, é hitleriano! Querem que eu desenhe? Ainda lembrei aos interessados que ninguém devia ficar constrangido por ser herdeiro de um senhor de engenho ou feitor. Quem se envergonha do longo período da holocáustica escravidão negra brasileira, deve se apoiar numa verdade pouco dita: Haviam aqueles, e sempre haverá durante a história, que não suportavam a barbárie acontecida nos seus quintais, nas senzalas de suas casa. Não admitiam a tortura e a matança cotidiana dos negros nos bastidores da casa grande. Este crime cotidiano incomodou a muitos libertários da época: utópicos humanistas, sinhás que se apaixonavam pelos negões e com eles fugiam, gays, poetas, abolicionistas brancos, jovens e velhos de todo tipo tinham um lugar no quilombo e de lá lutavam pelo fim da escravidão. Portanto, os brancos que se incomodam com isso, lembrem que podem ter no sangue a herança de abolicionistas.

         Falei por muito tempo, avancei as horas, achei que era oportunidade de sacudir aquele coreto. Terminada a fala, felizmente tive as palavras dos nossos preciosos Ricardo Cravo Albin e do Martinho, autorizando o teor do que eu dissera, sem maiores danos para habitual cordialidade do lugar mas sem deixar passar, no entanto, que o que se sucedera ali foi uma grande gafe, para dizer o mínimo. Absolutamente confortável para o senhor Ivan que, encrustado no velho classicismo deixou claro e explícito aquele velho olhar que pergunta: “O que você está fazendo aqui?”. Foi isso que aquele senhor que não merece apresentar a Carolina Maria de Jesus por não estar à altura de entendê-la, de entender a sofisticada simplicidade de sua narrativa, por não respeitá-la, por discriminá-la e por representar assim as velhas vozes machistas, classistas e racistas que não conseguem engolir a presença de uma mulher, ex-catadora de papel, negra ainda por cima, nos incensados e vaidosos salões das academias. Não será simbólica essa atitude do avesso homenageador? Não representará sua grosseira atitude o olhar de desprezo de muitos neste país? Para o senhor Ivan, Carolina Maria de Jesus jamais deveria ter se recusado a ser o resto, a ser a nula e invisível voz. Que vergonha. Mas sua voz não morreu. Está viva e grita aqui.

Elisa Lucinda, outono, 2017.


Fonte: Página de Elisa Lucinda no Facebook, acesso em 29 de abril de 2017 às 15h35.