[Poesia] FLORÃO DA AMÉRICA por Andrade Jorge

Texto escrito em agosto/2005, será que mudou ou mudará?

 

Faixa Bandeira Brasileira

 

 

Florão da América, 1977, óleo sobre tela, coleção André Finger 

Naquele reinado onde a terra é fértil,
tudo que se planta dá,
o trono era verde amarelo,
os príncipes vestiam vermelho
no palácio azul caramelo,
a Coroa aparentemente era o espelho,
fulgurava, reluzia no florão da América,
mas tudo tem um preço $real,
e no labirinto palaciano,
alianças espúrias, acordos secretos
sustentavam aquele reinado sul americano;
E o povo? Ah! Os súditos
sobreviviam da esperança prometida,
matavam a fome com brioches de sonhos,
como sonho foi o trabalho, a lida,
sofriam impotentes, sem vertentes,
noite sem lua, nem estrelas…
os vassalos-bonecos exploravam o tesouro,
arrancados do povo já sem couro.
O rei? Borboleteava em sua carruagem voadora,
perdido no deslumbramento imperial,
tornava realidade a irreal revolução dos bichos, afinal
a ideologia experimentava o poder,
se embebedando com o veneno da ambição,
mas nesta Partilha Tenebrosa, a escusa ação
da avidez, da ganância escabrosa,
espalhou-se nos corredores e salas da arrogância,
exalando os odores da podridão,
até que explodiu a Cabeça-de-Negro*
na fala de um desgarrado,
e nobre cabeças rolaram no tapete sem chão,
os Silvas, Souzas, Marias
viram a verdadeira face da corrupção,
ainda assim naqueles dias,
o rei sorria …. Sem sorte, sem trilho,
na coroa uma estrela sem brilho,
no ar um clamor mudo, forte,
a imponência desandou.
E quem quiser escreva outra história,
porque essa ainda não acabou …

A. Jorge
direitos autorais registrados
Agosto/2005

Nota do autor: Cabeça-de-negro é uma planta de nome científico Cayaponia tayuya, a tayuya que possui muitas indicações medicinais, mas também conhecida pelo nome de uma árvore de pequeno porte, da família das Anonáceas, gênero Annona, e também do seu fruto. Ocorre nos cerrados do Brasil. Também é conhecida como araticum-liso, fruta-do-conde, ata ou pinha, igualmente com propriedades medicinais.


Boa reflexão 🙂

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