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SEMANA DA CRIANÇA #5 – AMANDA MAIA GOMES – AMIGOS NA INFÂNCIA (PARTE 2-final)

BOMMM DIAA!!

E hoje  terminaremos a prosa da AMANDA MAIA GOMES, a escritora de Manipuladores do Futuro, confiram lá no Wattpad

Manipuladores do Futuro

>>  MANIPULADORES DO FUTURO <<

Continuando…(parte 2 – final)

Já contei que não tinha amigos, mas a verdade era que eu até tinha, porém, as crianças da rua não gostavam de mim, queriam minha companhia apenas quando outras não estavam disponíveis e como estava acostumada a brincar e me virar sozinha com meus cachorros, logo percebi que era segunda opção e deixei de estar disponível também, para todos eles.

O bom era que o meu tio tinha amigos e eles tinham filhos…

O patrão do meu tio era uma pessoa legal comigo e tinha um filho, não sei o nome todo dele, mas o conhecia por Juninho e ele esteve presente em vários momentos dessa época.

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Fonte Textos engraçados e Crônicas engraçadas 

Festas de aniversário e eventos no lava rápido eram frequentes. Juninho também era sozinho e assim como eu, não tinha irmãos com sua idade, eu ainda nem tinha minha irmã.

Um dia, numa festa de aniversário de um amigo do meu tio, o Joãozinho, nos juntamos com a criançada da festa e brincamos de tudo um pouco, principalmente dessas brincadeiras em que tínhamos que correr e procurar os outros.

Não lembro exatamente qual era a brincadeira da vez, só sei que estávamos correndo e ele estava ao meu lado. O terreno não era dos melhores, mas era justamente nele que quisemos brincar. Terreno acidentado, perfeito para acidente de um corredor.

O momento ainda é distorcido pela adrenalina e pelo tempo. De repente, me vi indo com a cara no chão cheio de pedrinhas. Meu reflexo foi rápido, como deveria mesmo ser, contudo, não veio acompanhado de inteligência.

Terminei a noite chorando, com Juninho preocupado caminhando ao meu lado enquanto meu tio me levava no colo para o carro do patrão dele, que já estava ao volante.

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Fonte Frases Para Facebook

Olhar meu dedão da mão direita era assustador, estava tudo inchado, vermelho e meu dedo não deveria estar tão perto assim do pulso. Não fiz escândalo por causa da dor, isso não quer dizer que não chorei muito. Durante o caminho para o hospital, Juninho e meu tio tentaram me distrair, e conseguiram.

Cheguei ao hospital sem chorar ou reclamar, contanto que não mexessem em minha mão, não havia dor. Fui atendida muito rápido, depois de alguns meses soube que era um hospital particular, aí que fui entender a rapidez no atendimento. Passei pela máquina de raio-X e fui para a sala do médico, aquele bonzinho enrustido.

Ninguém quis entrar na sala comigo, estavam todos desesperados e sabendo da estratégia do médico. O doutor pediu para ver meu braço e percebendo meu medo, garantiu que só ia ver, que o exame não tinha ficado claro.

Entreguei o braço e quando ele pegou, não tive tempo nem de piscar. O médico puxou meu dedão e eu gritei, acordando todo o hospital e trazendo um Juninho derrapando até a porta da sala, assustado. Não sei que horas eram quando me machuquei, só sei que era madrugada, porque quando cheguei em casa, já estava amanhecendo.

Minha mãe veio atender o portão e só conseguiu ver meu braço quando o abriu. Seus olhos quase saltaram para fora e em seguida, fuzilaram meu tio, ouvindo: “Eu posso explicar, na verdade, ela te explica”. Ele me empurrou para a frente e eu ergui o braço, rindo.

Depois de explicar o ocorrido, fiquei mais tranquila. Minha mãe não ia mais matar meu tio. O que ela disse foi: “Bom, foi o primeiro osso de muitos”. Claro, eu não brincava se não fosse para valer e pelo andar da carruagem, ela estava certa. Meu tio tratou de explicar que não tinha quebrado, mas só deslocado e tinha uma luxação.

Fiquei muito tempo com aquele gesso pinicando e tendo que comer com a mão esquerda, o que era uma tortura. No ano novo, a mesa estava cheia de comida gostosa e meus primos estavam lá. Não sei se mencionei, mas nós morávamos no estacionamento em que meu tio também trabalhava para o mesmo patrão e um trabalho era ao lado do outro.

Enchi o saco para o meu tio tirar aquele treco do meu braço. Autorizado pela minha mãe e vencido pelo cansaço, ele quebrou o gesso e eu pude finalmente comer sem segurar a colher como se fosse uma mamadeira.

Só para constar, até hoje, não quebrei mais nada, mesmo tendo sofrido três acidentes de moto. Só para contrariar minha mãe!

Tive momentos ótimos naquele estacionamento. Às vezes, meu tio não acordava com a buzina dos carros, todo mundo em casa dormia feito pedra. Eu levantava e ia atender o portão. Adorava me pendurar neles enquanto abriam e sempre ganhava balas e caixinha de todos os clientes, todos fixos.

O “tio” que guardava um ônibus escolar, daquele antigos, sempre me deixava entrar nele para surfar enquanto guardava o veículo.

Todas as pick-ups eram limpas por mim e o pagamento pelo serviço era diário, o que os motoristas delas tinham no porta luvas era meu. Eles abriam e entregavam o que estava lá, geralmente, dinheiro, que ia direto para minhas economias.

Quando as coisas começaram a ficar ruins e os passeios com o Romeu, a Julieta (meus rottweilers) e o Tafarel (meu pastor alemão) ficaram menos frequentes e meu tio, que sempre me acompanhava, passou a dar desculpas para não ir, o amigo dele, o Joãozinho, trouxe suas filhas e esposa do norte para cá.

Foram elas que me ajudaram a passar por aquele momento sem sentir tanto. Nê e Ednalva passaram a frequentar o estacionamento com o pai e se tornaram minhas amigas. Foi tudo tão indolor e mesmo assim estranho, que eu nem tempo tive de assimilar o que estava acontecendo.

De repente, me vi morando com minha mãe e com um pai que tinha acabado de conhecer numa casa pequena, em um quintal com pelo menos outras quatro casas e para minha sorte, minhas amigas moravam também em uma delas.

Meu tio não estava com a gente, prefiro não contar o que hoje sei, mas como em toda família, houve um desentendimento e meu tio, que tinha perdido o emprego, a casa onde morava e a filha/sobrinha, decidiu que não viria morar conosco. Mesmo assim, não deixou de me visitar e várias vezes foi me buscar na escola.

Ednalva logo já não tinha mais interesse em nossas brincadeiras e se afastou um pouco. Foram dias e mais dias brincando com a Nê. A primeira coisa que eu fazia quando chegava da escola era bater na porta dela para avisar que a gente já ia brincar. Ela não estudava e eu não entendia o porquê na época.

Elas foram minhas melhores amigas e jamais as esquecerei,

principalmente por saber que mesmo sem a menor intenção, estavam me ajudando a não perceber o que estava acontecendo em minha família. Tive uma conversa com meu tio, ele me explicou que tínhamos que escolher um dos cachorros. Não tínhamos mais condições de cuidar de todos e se um deles ficasse doente, não teríamos como cuidar. Concordei em doar para que outra pessoa pudesse cuidar e decidimos que seria melhor ficar com o Romeu, já que ele só obedecia a mim.

O pior dia da minha vida aconteceu também de surpresa, meu tio veio buscar a Julieta. O Romeu arranhou o braço de uma menina que sempre o provocava passando a chave nos ferros do portão, até que naquele dia ele se escondeu, deixou ela passar e na volta, achando que ele não estaria ali, a menina se descuidou e encostou no portão. O pai dela chamou a carrocinha e nunca mais vi meu cachorro. Tafarel foi levado por uma amiga nossa e eu soube que Nê e Ednalva voltariam para o norte.

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Fonte SoFotos

Naquele dia dormi depois de muito chorar e levantei cedo no dia seguinte para me despedir delas na rodoviária. Meu tio estava comigo naquele momento. Abracei as duas bem forte e acompanhei com a visão turva elas entrarem no ônibus e ele seguir viagem.

Chorei por dias e em alguns tive febre. Insisti, e meu tio veio ficar perto da gente. Não na mesma casa, mas no mesmo quintal e todo o fim de semana, ele me ensinava como fazer uma comida gostosa como a dele. Fiz questão de aprender. Apesar de hoje saber fazer o básico sem errar e que qualquer pessoa que comer vá achar satisfatório, não tenho o talento que ele tinha para cozinhar.

Espero ter pelo menos um pouco do talento que ele tinha para contar, inventar e misturar o real com o imaginário ao narrar uma boa história.

Nunca mais vi Nê e Ednalva. O que meu tio explicou anos depois, é que elas foram embora para casar. De certa forma, do mesmo jeito que não percebi as coisas por um tempo, Nê também não, apenas Ednalva sabia o que ia acontecer.

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Fonte Cães online

O novo dono de Julieta a trouxe para me fazer uma visita, eu tinha consciência de que o lugar em que estava morando era muito pequeno para ter 3 cachorros daquele tamanho e tinha aceitado ficar só com o Romeu. Matei minha saudade de Julieta, depois não a vi mais e Tafarel, se não morreu de velhice, ainda está com o marido da moça que o adotou, esse, vi várias vezes e durante anos. O que me deixou triste, foi não saber que todos estavam bem, pois não sei o que fizeram do Romeu.

Pouco tempo depois que essas coisas ruins aconteceram, minha mãe anunciou que estava grávida. Os anos seguintes foram cheios de risos provocados pela criança mais linda que eu já tinha visto, (minha irmã mais nova) muitas brigas com ela e algumas broncas por causa dela. Hoje, não brigamos mais e ela deixou de ser pentelha.

Meu tio/pai faleceu tem pouco mais que 5 anos, deixando uma imensa saudade e seria impossível recordar sobre minha infância sem lembrar dele. Tanto eu, quanto minha irmã, tivemos muita sorte por ter tido ele em nossas vidas e por termos ouvido todas as histórias que ele inventava na hora, até mesmo aquelas que eu percebia que não faziam sentido algum, em momentos que meu tio estava cansado e a memória não colaborava, mas a principal ouvinte nem percebia. Eu é que não ia contar…

Entre lembranças boas, ruins e assustadoras, é que percebo a magia de ser criança. Tudo é muito mais simples e menor, não entendemos algumas coisas e outras, entendemos até demais, quem complica são os adultos.

Pessoas passam por nossas vidas na infância, como num treino para o futuro, pois isso não deixa de acontecer. A diferença é que quando adultos, guardamos mágoa, raiva e ressentimentos, mas quando crianças, reservamos tudo o que a pessoa deixou de positivo e quando não há, pelo menos aprendemos alguma lição.

Desde criança aprendi a ver o lado positivo das coisas, por pior que elas sejam. Aprendi também a valorizar o que cada um tem e a distinguir quem são meus amigos. Hoje sei que não preciso ter um melhor amigo, assim como no amor, existem vários níveis que uma amizade atinge.

O milagre de ser uma criança está em se encontrar em meio à tempestades e mesmo assim sair ileso, sempre levando quem puder e quiser consigo. Cada um teve seu tempo e suas dificuldades, o que o adulto precisa descobrir é o que ele tirou de sua infância. Não é fácil, mas a vida nos ensina a selecionar, por que não ser seletivo quanto ao quão positivo as experiências serão? Por que não podemos selecionar o que levar da nossa infância para essa fase tão dura que é ser adulto?

Crianças, aproveitem cada momento e percebam quem são confiáveis, geralmente, são seus pais.

Adultos, programem uma sessão de nostalgia e percebam, que por mais difícil que tenha sido essa fase, sua visão não era essa na época. Da vida, quando não temos muita opção, devemos pelo menos, ficar com a ótica de cada momento.

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Espero que tenham gostado e ainda tem mais !!

Abraço da Lua 🙂

“Amizade é um amor que nunca morre”

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Autor:

Poetisa da vida, Leitora por vontade, Ferroviária por destino, Rabiscadora de Cadernos, Apaixonada por Livros, pelos amigos, pela vida e filosóficamente dramática :) - Jundiaí - SP - Brasil ! #APOIOAUTORESNACIONAIS

2 comentários em “SEMANA DA CRIANÇA #5 – AMANDA MAIA GOMES – AMIGOS NA INFÂNCIA (PARTE 2-final)

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