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SEMANA DA CRIANÇA #4 – AMANDA MAIA GOMES – AMIGOS NA INFÂNCIA (PARTE 1)

Cheguei com mais uma postagem da nossa Semana Temática , com o tema Infância.

Quero aqui externar minha satisfação e minha (divina?) inspiração para fazer essas

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Fonte: Site Sem Palavras

postagens com o apoio de pessoas especiais e tão talentosas, que talvez você não conheça, mas que têm um certo “jeito” para a escrita 🙂

Cada texto lindo que eu fico assim sem palavras!!

E vamos à apresentação de mais uma das minhas celebridades literárias.

Uma amiga querida, a escritora AMANDA MAIA GOMES, a quem tive  o prazer de conhecer através do grupo de whatsapp Família da Kate, de nossa amada Kate Willians ❤ e posteriormente, conheci pessoalmente durante o lançamento do livro Aos Olhos de Zoe da querida Camila Pelegrini!! ( É MUITO AMOR ENVOLVIDO!!! ❤  )

A Amanda mandou-me o texto e para que vocês possam apreciar com mais calma eu dividi em duas postagens 🙂 porque ele nos faz rir e chorar, ter medo e refletir. Assim, num único texto!!

Espero que gostem 🙂


 

A magia de ser criança – parte 1

 A infância é maravilhosa. Durante esse período passamos por momentos muito importantes e que de alguma forma nos definem quando adultos, se não define, no mínimo, nos ensina lições primordiais.

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Fonte wall.alphacoders.com

 

Temos amigos na rua de casa, no bairro, no quintal, na escola, na casa daquela tia ou tio e até mesmo nas casas dos amigos de nosso pais. Isso parece muito genérico até mesmo para mim, que valorizo os amigos e tenho muitos, em diferentes graus de intimidade e proximidade, mas não deixo de valorizar nem mesmo o mais distante e o puramente virtual, todos têm sua importância.

Existem crianças que não têm amigos, não citarei os possíveis motivos das outras crianças, usarei apenas os meus.

Filha única, morando apenas com a mãe e os tios, um deles, um pai para mim. Sempre tudo era só meu e vinha em minha direção, festas de aniversário, tv a cabo só para poder assistir desenhos, besteiras para comer, passeios que eu queria, lugar espaçoso para brincar e cachorros de estimação. Era o que eu tinha. Claro que em determinado momento, tudo mudou e o motivo maior, foi financeiro.

Eu era boa aluna e considerada uma das melhores, tinha liberdade para passear pelo quarteirão e era conhecida por ali, mais tarde, descobri que era conhecida no bairro todo, o que em São Paulo, abrange uma boa área. Entrava e saía da casa de quem eu queria e era bem-vinda em todas elas, também era bem quista nos bares próximos à minha casa. Em minha época, durante o dia, o melhor cliente de um dono de bar, era uma criança.

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Fonte Maternidade Colorida

 

 

Eu mesma fiz meu tio/pai deixar alguns órgãos espalhados por esses estabelecimentos pela quantidade de doces que eu pendurava em nome dele.

Não era culpa minha, preciso esclarecer para não ser mal julgada. Os dono perguntavam o que eu queria, obviamente eu dizia o quê e como se meu desejo fosse uma ordem, eles me davam e eu saía feliz comendo geleias, daquelas metade amarelas e metade rosas, paçocas, balas com recheio, balas de goma e o que mais tivesse naquele momento, e sempre procurava o lugar com mais variedade aberto, afinal, era uma criança inocente, mas não idiota.

O que nunca me disseram sobre o que eu fazia, era que não estavam atendendo a um desejo meu e nem estavam sendo bonzinhos apenas. Meu tio pagava por tudo aquilo quando ia beber uma cerveja. Às vezes, ele chegava em casa e perguntava: “Você pegou geleia e paçoca no Querubins”? A única coisa que eu fazia era assentir vendo a expressão dele se aliviar por não ter sido enganado, ou, o que eu pensava na época, por saber exatamente por onde andei.

Não se preocupem, não o levei a falência por doces, fui proibida de entrar nos bares antes disso.

Em compensação, todos os dias antes de minha mãe me levar para a escola, nós passávamos pelo

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Fonte Libero Social

trabalho do meu tio e ele me dava um dinheiro para comprar alguma coisa no caminho e para provar que eu não era idiota, fui guardando durante meses o que ele me dava, usando apenas um pouco por dia, até que parei de pedir e ele quis saber o motivo.

 

Fiz o que qualquer criança orgulhosa por saber que estava fazendo o certo podia fazer. Mostrei minhas economias e ele sorriu, orgulhoso de mim. Contudo, não me deu mais dinheiro e quando dava, dizia: “não deixa de economizar, eim!”

Tive essa incrível ideia e meu reconhecimento foi ter que economizar mais. Sério, segui o exemplo dele, que juntava moedas em um barril pequeno, mesmo rico do jeito que era e perdi minhas regalias, não era justo. A “riqueza” dele vinhas dos vários carros que ele lavava por dia no lava rápido em que trabalhava e essa era a minha visão das coisas.

Hoje sei que ele estava anos luz de distância da riqueza e o resultado dessa experiência de economizar, foi me tornar mão de vaca e não gastar mais nada, só guardava. Foi assim que comecei a juntar moedas de um centavo também.

Umas das experiências dessa mesma época antes de as coisas ficarem feias, foi a de um presente que ganhei.

Lembro que gostava muito da pessoa que me deu esse presente e ele morava na casa de frente para a minha e ocupava quase a esquina toda. Tinha uma família grande, vários filhos e netos, mas todos mais velhos que eu.

Sempre fui comunicativa e achava uma das filhas dele linda e logo fiz amizade com ela também. Não demorou muito para me tornar a frequentadora de mais essa casa. Fui convidada para todas as festas e o pai dela, que já era um senhor, usava os fins de semana para trabalhar em seu hobby, ele era borracheiro e todos os dias calibrava os pneus da minha bicicleta.

Em meu aniversário de não sei quantos anos, mas foi antes dos 8 anos, ganhei dele uma boneca rosa de pano e que cantava.

A Rosinha era linda e brinquei com ela por dias até assistir Chuck, o boneco assassino…

Odiei aquele filme. Não tive medo, fiquei impressionada, mas foi o suficiente para imaginar a Rosinha no lugar daquele boneco. Teimosa, tentei de todas as formas brincar com ela, gostava do presente.

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Imagem ilustrativa . Fonte Elo7

 

As lembranças que tenho disso são distorcidas e se confundem, porém, sonhei que aquela boneca puxava meus cabelos e grudava doces neles. Quando acordei, com minha mãe brigando comigo, demorei a perceber o motivo. Meu cabelo estava todo embaraçado e cheio de geleia derretida.

Minha mãe cortou um dobrado para resolver o problema e não acreditou no que eu disse sobre a Rosinha, que estava na mesma cama que eu. Insisti para ela jogar o presente fora e só de raiva, ela fez.

Fiquei muito aliviada e ao mesmo tempo com medo de meu amigo descobrir que eu tinha jogado o presente fora. Se minha mãe não acreditou em mim depois de ter visto meu cabelo, ele também não acreditaria.

Dormi como um anjo naquela noite, fui para a escola de manhã e tirei um cochilo em casa depois do almoço. Tive outro pesadelo com a boneca, ela ria, caçoando de mim enquanto girava no vazio.

Nem preciso dizer que acordei assustada. Minha alma quase saiu do corpo ao ver a Rosinha nos pés da cama. Chorei, gritei, fiz o maior barraco e num surto, peguei uma faca e rasguei a boneca toda.

Minha mãe não acredita em mim até hoje, mas meu tio fez questão de queimar os restos mortais da boneca na minha frente e disse que se encarregaria de explicar o que tinha acontecido ao meu amigo, que veio a falecer meses depois. Se não me engano, por câncer. Lembro dele com muito carinho, era uma ótima pessoa e criou bons filhos.

Quanto a Rosinha, fiquei apreensiva nas primeiras noites de sono, mas não tive qualquer sonho/pesadelo com ela. Existem motivos para que eu mesma não acredite nisso sobre a boneca. Eu podia ter dormido com doces na cama e minha mãe pode ter se arrependido ou nem mesmo jogado a boneca fora…

Mesmo assim, não lembro exatamente o que aconteceu, continuo acreditando que a Rosinha queria meu mal e até hoje evito assistir filmes assim, não por medo, mas por ficar impressionada. Por isso não recomendo filmes assim para crianças, quando não são filmes completamente idiotas, impressionam demais e a imaginação e criatividade de uma criança não tem limites.  (continua…)

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Até a próxima postagem 🙂

Abraço da Lua

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Autor:

Poetisa da vida, Leitora por vontade, Ferroviária por destino, Rabiscadora de Cadernos, Apaixonada por Livros, pelos amigos, pela vida e filosóficamente dramática :) - Jundiaí - SP - Brasil ! #APOIOAUTORESNACIONAIS

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