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SEMANA DA CRIANÇA #3 – ADILSON PEREIRA – AVENTURAS NA INFÂNCIA

BOA NOITE, CRIANÇADA!! RSRS

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Fonte Blog Violência Doméstica Contra Criança

 

Continuando nossa semana temática, hoje apresento para vocês o texto do querido amigo Adilson Pereira!

Conheci a existência dele através da minha querida diva e musa inspiradora ADRIARA FERRAZ, uma amiga MARAVILINDA que conheci através do grupo de leitoras AMORES DO SKOOB. Eles são um casal maravilhoso e eu sou feliz por eles !!

Bom, vamos ao texto.

Esse ficou um tanto mais longo, mas não tive a menor coragem de suprimir nada.

VOCÊS PRECISAM LER ESSE TEXTO!!!

 

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Fonte: Canal do Youtube Senado Federal

Doces do lixão

“Sempre que falam de infância me recordo desse episódio, um lixão sempre será para mim lugar de boas recordações.

Perto de casa tem um campo bem extenso e como é em lugar alto, é lugar ideal para soltar pipa. Mas eu nem gostava de pipa, eu só ficava lá com meus amigos para não ficar sozinho na rua.

Tudo favorecia para a prática da pipa, lugar aberto, alto, com bons ventos e o melhor que a linha era de graça. Isso mesmo, a linha era de graça. Como? Deve estar se perguntando. Simples, próximo a esse campo havia um enorme lixão, na divisa entre minha cidade e São Paulo e lá por ser um lugar isolado várias empresas depositavam seus rejeitos clandestinamente, tinha de tudo, peças de carro, hospitalar, móveis, plásticos e era tudo separado. Não era um lugar simples de se andar, pois era uma verdadeira ribanceira, era escorregar lá e descer barranco a baixo sobre os lixos. E nos plásticos  -respondo o por que a linha era de graça – existiam vários novelos de uma linha parecida com náilon, era essa linha que recheava nossas latas. Mantínhamos essa descoberta em segredo, assim, só nós sabíamos onde recarregar os carretéis, ou latas. A minha era sempre de Neston com linha por fora e rabiolas por dentro. Era tudo a favor, não precisávamos ir até o lixão procurar os novelos, de longe se via o tom escuro da linha e sabíamos se tinha ou não, daí era quarenta minutos de caminhada pela trilha até chegar lá. Com um pedaço de binóculo já chegamos a ver o caminhão depositando toneladas daquele material escuro, era a dica de que mais linha estava sendo jogada lá para nossa alegria.

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Fonte Universo Retrô

 

Certa vez aconteceu de vermos uma enorme carreta depositando materiais estranhamente coloridos no mesmo local de onde eram postos os novelos. Ficamos eufóricos pois, desta vez sabíamos que os latas além de cheias, estariam também coloridas, nunca havia tido uma carga de linha colorida.

E lá foi a turma na trilha meio a mata em direção ao tal lixão. Éramos em uns 10 meninos, vou poupar apelidos para resumir a história. Cada vez mais perto, maior a certeza de que aquilo não era linha. As manchas coloridas pegavam formas de caixas e sacos, empilhados aos montes. A esperança de encher as latas não acabava até que chegamos ao local e deparamos com uma imensa carga de caixas e sacos jogados. Imagine uma enorme quantia de doces empilhados de qualquer maneira, de vários tipos, de amendoins coloridos, chocolates, balas, suspiros e o que mais imaginar.

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Fonte Google Images

Agora triplique essa quantia, sim foi essa a quantidade de doces que estávamos frente a frente. Um ou outro questionava a condição dos doces, mas data de validade é coisa de gente adulta. Foram várias ideias para conseguirmos carregar o máximo de doces possíveis. Arrastando, fazendo das camisetas mochilas, amarrando no corpo, até uma carroça nós construímos com um capô de fusca e algumas cordas encontradas lá mesmo. Sei que o montante de doces era suficiente para distribuir entre nós todos conforme o gosto de cada um. Eu optei pelas paçocas e balas de goma, exceto aquelas que estavam misturadas com barro, outro pelos triângulos de banana e maria mole, outro pelos corações de batata e abóbora, e assim foi sendo escolhido entre muitos outros tipos de doce. Os chocolates estavam empilhados em um carrinho de mão fortemente amarrados, e ninguém queria sequer encostar naquilo visto que um velho já havia recolhido e tinha posse de um imenso facão. Foram exatamente umas três viagens até vir a chuva e melecar tudo. Odeio lembrar que vomitar colorido nos dava orgulho.

 

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Fonte Google Images

E foi decidido pela maioria após a distribuição das pequenas montanhas de doces a seguinte agenda:

Casa do Adilson, com Atari  jogando enduro e um jogo de pega ladrão que não lembro o nome, mais paçoca e bala de goma, horário da manhã.

Casa do Wilson, triângulos de banana, suspiros jogando baralho… valendo doces é lógico, antes de irmos à escola.

… horário de aula, não faltava doces na mochila…

Casa do Eduardo à tarde, mais vídeo game e doces.

Casa do Michel, pingos de leite e amendoins coloridos, jogando stop

Casa do Xande à noite, chicletes e caramelos jogando qualquer jogo de tabuleiro que tivesse lá, afinal ele tinha muitos desses jogos de tabuleiro. Até hoje nunca conheci alguém que jogasse trilha.

A temporada de pipa acabou para nós mais cedo naquele ano, visto que o consumo de todos aqueles doces tomava muito nosso tempo.

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Fonte Pinterest

O pai da Renata minha sobrinha, não deixava ela comer desses doces do lixo e dava dinheiro a ela para poder comprar na venda. Mal ele sabia que trocávamos pacotes de paçoca do lixo por salgadinho com o dono da mesma venda, resumindo eles pagavam para comer do mesmo lixo.

Seguiu-se assim por uns dois meses, ganhamos peso, cáries, dores de barriga, muitos momentos juntos com vídeo-game, jogos de tabuleiro, campeonato dos vômitos coloridos, aprendemos a malícia da aposta mesmo que apostando doces e descobri também como devem se sentir as formigas quando carregam açúcar do pote. Acho que o benéfico de tudo isso foi ter passado a época da pipa e ninguém estar com os dedos cortados de cerol. Porém estávamos cheios de açúcar e uma das sequelas sinto agora escrevendo e passando a língua no lugar onde deveria estar um dente que cariou.”

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Se você leu até aqui, comente o que achou desse tema de hoje 🙂 

Abraço da Lua 🙂

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Autor:

Poetisa da vida, Leitora por vontade, Ferroviária por destino, Rabiscadora de Cadernos, Apaixonada por Livros, pelos amigos, pela vida e filosóficamente dramática :) - Jundiaí - SP - Brasil ! #APOIOAUTORESNACIONAIS

8 comentários em “SEMANA DA CRIANÇA #3 – ADILSON PEREIRA – AVENTURAS NA INFÂNCIA

  1. Essa história kkkkkkkkk e aaaah, como assim, cara?! Eu e meu pai sempre jogávamos trilha, é o jogo preferido da minha mãe e dele (de tabuleiro), nunca entendi muito bem, mas joguei muito com meu pai e meu irmão!

    Curtido por 1 pessoa

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